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Alta Ansiedade

por: John Toon 

A realidade virtual é a última moda em jogos no mundo inteiro, mas   pesquisadores da Georgia Tech e da Emory University estão provando que os simuladores avançados são mais do que brinquedinhos caros.

No primeiro estudo conhecido sobre esse assunto, os cientistas usaram a realidade virtual (RV) para tratar vítimas de acrofobia, o pânico de altura. A pesquisa, descrita em detalhes na edição de abril do American Journal of Psychiatry, pode abrir novas possibilidades para o tratamento de uma ampla gama de condições fóbicas, cujos atuais tratamentos utilizam técnicas de exposição a situações reais de geração de ansiedade.

"Este estudo é importante no que se refere a comprovar a existência de um potencial real para o uso da realidade virtual em terapias de exposição", declara Larry F. Hodges, professor adjunto do College of Computing da Georgia Tech. "Existem diversas doenças que poderão vir a ser tratadas por meio de sistemas de terapia de realidade virtual em consultórios médicos."

Uma equipe de pesquisadores liderada por Hodges e pela Dra. Barbara O. Rothbaum, professora assistente do Departamento de Psiquiatria da Escola de Medicina da Emory University, estudou os efeitos da terapia RV em um grupo de alunos que apresentava sintomas clínicos evidentes de acrofobia.

Após dois meses de tratamentos semanais, esses alunos foram avaliados em relação aos níveis de ansiedade, fuga, reação e angústia apresentados durante a exposição a situações de altura. Em seguida, esses níveis foram comparados aos de alunos com os mesmos sintomas que não receberam tratamento.

"Foram encontradas diferenças significativas entre todas as medições realizadas nos alunos que completaram o tratamento de realidade virtual e nos alunos na lista de espera (controlada)", relataram os pesquisadores. "Após oito semanas, o grupo em tratamento apresentou notáveis melhoras, ao passo que o outro grupo permaneceu inalterado."

Na série de sessões conduzidas por um médico terapeuta, o grupo em tratamento utilizou visores de RV acoplados aos capacetes para simular cenas de geração de ansiedade, como pontes, balcões e um elevador de vidro no pátio interno de um hotel. Em cada simulação, as pessoas começavam no nível do chão e subiam lentamente nos cenários simulados até que apresentassem ou relatassem sinais de angústia. Elas permaneciam então nesse patamar até que seus níveis de ansiedade caíssem.

Durante as sessões de 25 a 35 minutos realizadas no Graphics, Visualization and Usability Center da Georgia Tech, praticamente todos os alunos sentiram suores nas palmas das mãos, vertigens e fraqueza nos joelhos, sintomas comuns de acrofobia. Ao final do tratamento, todas as pessoas testadas conseguiram dominar os três ambientes, inclusive o que se tornou conhecido como "Indiana Jones", que consistia na simulação de uma ponte suspensa 80 metros acima de um rio. Nos intervalos entre as sessões, sete dentre os dez alunos do grupo de tratamento decidiram voluntariamente se expor a situações de altura, mesmo não tendo sido especificamente instruídos a fazê-lo.

"Tivemos um aluno que efetivamente foi a um grande hotel em Atlanta e entrou em um elevador de vidro", recorda Hodges. "Quando retornou, ele nos contou que, embora estivesse com medo, sentia-se pronto para lidar com a situação. Antes do tratamento, seriam necessárias várias pessoas para colocá-lo no elevador."

Segundo Hodges, embora a situação virtual criasse sinais de ansiedade e angústia reais nas pessoas testadas, os níveis podiam não ser tão intensos quanto se estas estivessem em uma ponte, balcão ou elevador de verdade.

"Durante as oito semanas de terapia, eles experimentaram as mesmas sensações de ansiedade e as mesmas emoções que sentiriam em situações reais de altura", explicou.

"No entanto, as pessoas se dispuseram a enfrentar situações na RV que jamais enfrentariam no mundo real. Apesar de não ser a vida real, a simulação é suficientemente real na medida em que desperta os mesmos tipos de emoções."

Embora os pesquisadores tenham demonstrado que a técnica RV pode reduzir o medo de altura das pessoas, eles não compararam os resultados apresentados com os resultados das técnicas de terapia tradicionais. Mesmo que a técnica VR se mostre mais eficaz que os métodos convencionais, ela ainda poderá oferecer outras vantagens significativas.

"A exposição gradual à realidade virtual pode vir a ser ainda mais eficaz em termos de custos e de tempo que a terapia de exposição convencional, a qual requer que o terapeuta deixe o consultório e trabalhe a ansiedade dos pacientes em situações reais de altura", diz Rothbaum. O tratamento de RV no consultório do terapeuta também preservaria a identidade das pessoas.

Além de demonstrar a eficácia da RV no tratamento de estados psicológicos, o estudo forneceu informações sobre a quantidade de dados visuais necessários para que as pessoas realmente vivenciem as situações que temem. "Reduzir a quantidade de informações visuais poderia permitir o uso da VR em equipamentos de menor custo, possibilitando que os terapeutas adquiram os computadores e o visor acoplado ao capacete por apenas US$20.000", acrescenta Hodges.

"Este estudo nos permitiu colher dados experimentais sobre o que chamamos de experiência de 'presença', bem como sobre os estímulos que fazem com que você sinta que está em determinado ambiente. Ele nos ajudará a identificar os tipos de detalhes que podemos suprimir e os detalhes que são mais importantes," completa.

Outros autores do estudo incluem Rob Kooper, pesquisador visitante da Delft University of Technology, Holanda; Dan Opdyke, do Departamento de Psicologia da Georgia State University; Dr. James S. Williford, da 101º Divisão de Aerotransporte de Fort Campbell, Ky.; e Max North, do Departamento de Ciência de Computação da Clark Atlanta University.

A pesquisa teve o apoio de verbas do Centro de Pesquisa em Biotecnologia da Emory/Georgia Tech, de equipamentos da Georgia Tech Foundation e de um fundo destinado a Experiências de Pesquisa para Estudantes Não Graduados, da National Science Foundation.

John Toon é diretor do Research Communications Office do Instituto de Pesquisa da Georgia Tech.  

Assista a um video depoimento sobre tratamentos, clique aqui 

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