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Dor crônica ganha novo tratamento
Luciana Alves

Chega ao Brasil uma nova solução para tratamentos das dores e suas incidências: o método Biofeedback. A inovação foi possível graças aos estudos e buscas para solucionar este mal, um problema que pode estar relacionado a várias regiões do corpo, bem como a cefaléia (a famosa dor de cabeça).

O assunto vem despertando cada vez mais o interesse de especialistas, tanto é que foi discutido detalhadamente pela psicóloga e psicoterapeuta do Hospital das Clínicas de São Paulo, Dra. Dirce Perissinotti, no 6º Simbidor. Para abordar mais precisamente o assunto, a especialista falou sobre a Saúde Mental e a Dor – A dor e o Abandono e também ministrou um curso sobre Cefaléia.

Para inovar seus métodos de tratamentos, Perissinotti uma das primeiras a utilizar o Biofeedback, a técnica que vem sendo utilizada na medicina e psicoterapia para curar e solucionar diversas patologias, entre elas a dor crônica, um mal que aflige uma grande parte da população mundial, transtornos de ansiedade, cefaléias tensionais, enxaquecas, disfunções do sistema digestivo, incontinência urinária e fecal, hipertensão arterial, arritmias cardíacas, déficits atencionais, problemas circulatórios (Doença de Raynauld), depressão leve, epilepsia, técnicas de manejo do estresse, déficit de atenção, distúrbios de sono, entre outros.

Tratamento

O tratamento parte do princípio que a maioria das doenças é proveniente do emocional e consiste medir os ritmos do coração usando um prendedor no dedo conectado a um computador. Picos de sinais elétricos como os musculares são detectados e "traduzidos por imagens ou sons, toda vez que um "gatilho" com a tensão muscular for ativado". Este permite que através de gráficos, possa se avaliar o nível de ansiedade da pessoa. E sob a orientação da psicóloga, o paciente aprende a melhorar sua condição de saúde usando reflexos de seu próprio corpo, corrige sua respiração, sua postura, maneira de pensar e aprende a se manter calmo de forma que minimize ou supere os sintomas da sua patologia.

Em especial nos EUA e Europa, a técnica já é utilizada há pelo menos 20 anos. O método psicofísico, que é comparável ao utilizado por termômetros e suas escalas, têm registrado um avanço no Brasil.

Com o uso da técnica, pode-se detectar funções internas corporais com grande sensibilidade e precisão. A novidade é que agora, pesquisas estão sendo bastante incrementadas e a aplicação está mais acessível e disponível aos doentes.

Dra. Perissinotti, que além de utilizar o método em seu consultório, desenvolve pesquisas no Hospital das Clínicas de São Paulo e também integra a equipe do Hospital Nove de Julho.

Pesquisas vêm, dia-a-dia, revelando que a aprendizagem obtida pelo processo involuntário tem eficácia e efetividade mais vantajosas que outras técnicas, tanto para os sistemas de saúde, como para os serviços assistenciais e, principalmente, para os doentes.

O tratamento através do Biofeedback envolve sessões regulares no período de poucas semanas. Para alguns tratamentos, são recomendadas de 10 a 15 sessões, outros casos como a reabilitação de situações mais complexas, requerem de 40 a 50 sessões.

Segundo Dra. Dirce, "o Biofeedback é um tratamento sério e permite um trabalho psicológico mais rápido e eficiente. Em pacientes de diversas idades foi notadamente perceptível a mudança, quando comparados a métodos de psicoterapias habituais, onde o resultado é mais demorado. A técnica pode ser utilizada de forma conjunta com a psicoterapia ou separadamente".

Dor

A Associação Médica Brasileira decidiu iniciar um trabalho para orientar os médicos sobre a necessidade de uma assistência maior ao combate a dor. As dores são responsáveis por 80% das consultas ao sistema de saúde do País e atingem em média 40% dos brasileiros adultos. Cerca de 50 milhões de brasileiros sofrem de dores crônicas (cabeça e coluna). A dor crônica também representa a principal causa de licenças médicas, aposentadorias e indenizações trabalhistas. No Ambulatório da Dor do Hospital das Clínicas, todas as segundas e sextas são atendidos de 20 a 30 pacientes novos.

A desatenção dos profissionais de saúde à dor do paciente deve-se em parte à formação acadêmica. A população em geral também deve se conscientizar de que não é saudável conviver com a dor ou suportá-la.

Não são apenas os médicos brasileiros que são insensíveis à dor. Nos Estados Unidos, só em janeiro deste ano, a dor passou a ser considerada prioridade na saúde pública.

Lá, 80% da população procura o sistema de saúde queixando-se de dores. Baseada em projeções de ambulatórios do país, a ONG Aliviador estima que pelo menos 50 milhões de brasileiros sofram de dores crônicas.

Christopher Reeve

O Biofeedback, técnica utilizada pelo ator Christopher Reeve, o super homem do cinema, inova também no tratamento de lesões corporais

A técnica está ajudando vítimas de paralisia por lesão cerebral ou medular a recuperar movimentos. Esse retorno é que torna possível a recuperação do movimento na região afetada. Cada grupamento muscular afetado recebe de três a 10 sessões.

Um dos exemplos é o caso do ator americano, Christopher Reeve que já pôde comemorar o sucesso obtido em uma nova cirurgia experimental a que foi submetido no mês de fevereiro, quando eletrodos foram implantados em seu diafragma para facilitar sua respiração, que há quase oito anos era mantida por barulhentos aparelhos eletrônicos. Os médicos acreditam que tais impulsos ajudem as células nervosas intactas da coluna a reaprender como comandar os movimentos das pernas.

Através do Biofeedback, todos os dias, Reeve se submete a uma rotina intensa de exercícios, alguns realizados com a ajuda de equipamentos de última geração. São cerca de quatro horas diárias de fisioterapia no chão, na piscina e numa bicicleta computadorizada. Por intermédio de eletrodos colados ao corpo do ator, o computador da bicicleta envia impulsos elétricos aos nervos das pernas. Dessa forma, elas se movimentam sozinhas, sem necessidade de um esforço voluntário.

Neste método em especial, a eletromiografia, músculos afetados são ligados por eletrodos a um aparelho para treinar o cérebro a acionar neurônios que não foram totalmente danificados pela lesão.

São poucos os psicólogos que utilizam a técnica no Brasil. Em São Paulo, Dra. Dirce Perissinotti, que atua no Hospital das Clínicas de São Paulo e no Hospital Nove de Julho, foi a primeira psicóloga e psicoterapeuta a utilizar o método em suas inovações e estratégias de trabalhos.

No Rio, apenas duas clínicas, uma só para militares da Aeronáutica, empregam a técnica, a mesma usada por Christopher Reeve, pelo locutor Osmar Santos e pela técnica de ginástica olímpica do Flamengo, Georgette Vidor.
Através de pesquisas clínicas e suas aplicações, o Biofeedback tem sido

amplamente utilizado, em especial nos EUA, Canadá e na Europa (Bélgica, Suíça e Itália) como técnica que produz extensas aplicações para várias modalidades de tratamento em diferentes condições médicas agudas e, principalmente, crônicas.

A técnica não fornece qualquer desconforto ao doente, uma vez que a mudança comportamental é induzida de maneira progressiva e relativa às dificuldades individuais.

 

 

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