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GUSTAVO PRUDENTE Com frio na barriga e expressão de derrota
no rosto, o filho conta para a mãe que perdeu a carteira -pela segunda
vez na mesma semana. Para quem sofre de TDAH (transtorno do déficit
de atenção com hiperatividade), essa pode ser uma situação bem comum.
As sucessivas frustrações de quem não consegue se concentrar, mesmo
sob tratamento medicamentoso, podem causar baixa auto-estima e problemas
de sociabilização. A novidade é que o biofeedback está ajudando os
portadores a lidar com essas dificuldades. Criado na década de 60 nos
Estados Unidos, o biofeedback utiliza aparelhos para ajudar a pessoa a
aprender ou reaprender a controlar funções fisiológicas. No Brasil,
os primeiros equipamentos chegaram há cerca de dez anos e vêm sendo
usados principalmente por fisioterapeutas. Mas outros problemas, como
incontinência urinária e compulsão alimentar, também podem ser
tratados com essa técnica. "Aplicamos eletrodos na pessoa, e um
computador traduz as reações fisiológicas quando ela é submetida a
certos estímulos. No caso dos portadores de TDAH, os eletrodos são
colocados na cabeça para medir as ondas cerebrais", explica
Dirce Perissinotti, psicóloga dos hospitais das Clínicas e 9 de Julho,
ambos em São Paulo. Segundo ela, o TDAH possui dois "pólos":
nos portadores hiperativos, há alteração na frequência das ondas
beta, relacionadas aos estados de excitação; nos mais apáticos, a diferença
está nas ondas alfas, associadas ao relaxamento. Em ambos os casos, a
pessoa tem dificuldade de se concentrar, seja numa aula, seja num objetivo
a longo prazo. O biofeedback permite que o portador conscientize-se da
relação entre o estado físico e as ondas cerebrais e, assim, aprenda
a controlá-las. "Com os recursos multimídia de um computador, podemos
criar um jogo de boliche, por exemplo, em que a bola se aproxima dos
pinos à medida que o paciente controla as ondas cerebrais", diz
Perissinotti. Para ganhar o jogo, um hiperativo terá de aprender a relaxar,
e um apático, a ficar mais estimulado. O recurso é usado especialmente
com crianças e adolescentes, que somam a maioria dos pacientes. O TDAH,
que atinge de 3% a 5% da população mundial, começa a se manifestar
antes dos sete anos de idade, e é justamente na infância que
sintomas e dificuldades costumam ser mais fortes.
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