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Arquivo pessoal
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INVENTOR
Hoffman e Mundo das Aranhas,
que teve sucesso com 80% dos pacientes |
O mundo de Matrix ganha espaço nos consultórios
médicos. Em vez de deitar no divã ou se
entupir com remédios, pacientes colocam óculos
ou capacetes e saem dirigindo um automóvel ou
falando para uma platéia - tudo virtualmente.
Programas de computador começam a ser usados
por pessoas com fobias, permitindo que elas
enfrentem seus maiores pesadelos sem sair da
cadeira. ''A realidade virtual pode ajudar a
controlar a dor e superar o medo e memórias
traumáticas'', explicou a ÉPOCA Hunter
Hoffman, diretor do Virtual Reality Analgesia
Research Center (Centro de Pesquisas do Uso de
Realidade Virtual para Tratamento da Dor) da
Universidade de Washington. ''A grande
vantagem é dar ao paciente a sensação de
que ele está em outro ambiente, aonde ele
temeria ir na vida real. É uma alternativa
para quem não responde à terapia
tradicional.''
A acrofobia (medo de altura), a
claustrofobia (medo de lugares fechados) e a
incapacidade de falar em público são algumas
das doenças atacadas. Há programas para cada
tipo de fobia. Em Mundo das Aranhas,
por exemplo, a pessoa caminha por diferentes
ambientes, tocando nos aracnídeos. Nos
Estados Unidos, 80% das pessoas submetidas ao
procedimento obtiveram sucesso. Para os
americanos sobreviventes do ataque terrorista
de 11 de setembro, criou-se um programa em que
a pessoa é capaz de rever o atentado e contar
tudo o que sentiu naquele dia. ''Ao levar um
paciente que não consegue dirigir a conduzir
artificialmente na chuva, o médico está
dando todas as ferramentas para que ele supere
esse medo'', diz o psicólogo e analista de
sistemas Basileu Menezes. ''Na realidade
virtual, o profissional desenvolve situações
complicadas de ser criadas e encaradas num
ambiente real.''
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Os pacientes enfrentam suas
fobias
sem sair da cadeira
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Um grupo liderado por Hoffman está usando
a realidade virtual como ferramenta de distração
para vítimas de queimaduras. ''A idéia de
que a dor é um componente psicológico é
antiga. O que fizemos foi aprimorar essa
teoria'', conta ele. Em Mundo de Neve,
o paciente tem a ilusão de estar flutuando
sobre uma montanha de gelo. Nesse território
artificial, ele se diverte atirando bolas de
gelo em tudo o que aparece, como bonecos de
neve e pingüins. A maioria dos queimados
relata nada sentir enquanto estão submersos
no programa. ''Um mesmo sinal de dor é
percebido com maior ou menor intensidade
dependendo do que vai na cabeça do paciente.
Estando no meio da neve mesmo que
virtualmente, ele pode nem se ligar na dor da
queimadura'', explica o neurocirurgião Cláudio
Corrêa, do Hospital Nove de Julho de São
Paulo.
Outro avanço é a associação da técnica
com aparelho de biofeedback - instrumento que
informa, através de sensores colocados na
pele do paciente, toda alteração ocorrida no
organismo quando submetido a stress. No
programa contra claustrofobia, o paciente
consegue se ver no elevador e, no canto da
imagem, ler num pequeno quadro as informações
de como seu corpo está reagindo naquele
momento. ''A grande vantagem desta associação
é que a própria pessoa pode se gerenciar'',
diz Leopoldo Kneit, presidente da empresa que
comercializa os programas no Brasil.
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Marcelo Rudini/ÉPOCA
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MEDO
DE ALTURA
A engenheira Claudete Klas conseguiu
curar uma acrofobia que a prejudicava
no trabalho, após dez sessões com o
programa virtual |
A popularização da realidade virtual para
fins terapêuticos é barrada pelo alto custo
do equipamento. Mesmo assim, aos poucos vem
ocorrendo no Brasil. A engenheira curitibana
Claudete Klas, de 35 anos, resolveu
experimentar a técnica quando seu medo de
altura começou a atrapalhá-la
profissionalmente. ''As sensações que eu
tinha quando estava na obra eram as mesmas que
tive na realidade virtual'', lembra Claudete.
Depois de dez sessões de uma hora, estava
curada. Apesar da técnica ter sido amplamente
estudada nos Estados Unidos, há quem faça
ressalvas. ''O médico precisa estar muito
preparado e conhecer profundamente o
paciente'', ressalta o psicólogo Ivo Donner.
''Afinal, é como se alguém acendesse uma lâmpada,
deixando ver um monstro. Se o paciente não
estiver pronto para vê-lo, é melhor deixar a
lâmpada apagada. O medo pode virar um pavor
incontrolável.''
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